domingo, 29 de maio de 2016

Relações Étnico-Raciais.

Diário de aprendizagem.




"A Educação é a mais poderosa arma, pela qual se pode mudar o Mundo." 

"Mandela."





                          O Primeiro dia de aula.




 Gente, bem-vindos ao meu Diário de bordo de aprendizagem. Aqui vou fazendo comentários sobre as aulas de Educação e Relações Étnico-Raciais. Espero que curtam, já que está sendo feito com muito carinho e dedicação. Cada aula é um eterno aprendizado.

No primeiro dia de aula tivemos a apresentação do professor de Educação e Relações Étnico-Raciais, o professor Eric Maheu. Confesso que fiquei surpresa no primeiro dia de aula, não esperava um estrangeiro ensinando essa disciplina. Logo na sua apresentação ele fez mistério sobre a sua origem, não falou de onde veio, tivemos que adivinhar de que país ele tinha vindo. Para surpresa de todos ele veio do Canadá.
Logo ele foi se apresentando, depois cada aluno se apresentou. Tivemos de falar se já sofremos algum tipo de preconceito. Houve diversos depoimentos.
Texto para levantar discussões como: Existe Racismo no Brasil?? Você já foi vítima?? Como ele se manifesta??
Vou destacar uma parte do texto que chamou atenção e acho que vale uma pausa para reflexão.Depois dos depoimentos falamos sobre etnia, raça e identidade. Tivemos que nomear 4 heróis. Mandela foi um dos mais lembrados.
Depois o professor Eric passou como leitura complementar, o texto " A fábula das três raças" do Bacharel em história, especializado em antropologia social, mestre e doutor pela Universidade de Harvad, Roberto DaMatta.



Enquanto o esquema do preconceito racial americano é de origem, o brasileiro é de marca. Ou seja:o sistema americano não admite gradações e tem uma forma de aplicação axiómatica: uma vez que se tenha algum sangue negro( e isso é determinado culturalmente), não se  pode mudar jamais de posição. Pode-se ser tratado idealmente como um igual perante a lei, masa diferença do sangue permanecerá para sempre. Já no nosso sistema, o ponto-chave é a admissão de gradações e nuanças.A raça ( ou a cor da pele, o tipo de cabelos, de lábios, do próprio corpo como um todo etc.) não é o elemento exclusivo na classificação social da pessoa. Existem outros critérios que podem nuançar e modificar essa classificação pelas características físicas (que são definidas culturalmente). Assim, por exemplo, o dinheiro ou o poder político  permitem classificar um preto como mulato ou até mesmo como branco. Como se o peso de um elemento (como o poder econômico) pudesse apagar o outro fator. Temos, pois, no Brasil , sistemas múltiplos de classificação social (cf. também Da Matta, 1979: cap.VI); ao passo que nos Estados Unidos há uma tendência nítida para a classificação única, tipo ou tudo ou  nada, direta e dualista , tendência que me parece estar em clara correlação  com o individualismo, o igualitarismo e, obviamente -como mostrou Weber - com a ética protestante (cf. Weber, 1967).Gostei muito dessa parte do texto. 
A cada aula surge uma nova reflexão sobre como o racismo está tão presente na nossa vida e no nosso dia a dia e não nos damos conta. O número de mortes de jovens negros no Brasil só cresce, na internet, nas redes sociais as atrizes e celebridades negras são insultadas com diversas ofensas, nos campos de futebol os jogadores negros também são alvos de insultos racistas, as mulheres negras são vítimas constantes da violência doméstica, claro que a violência doméstica não escolhe cor da pele, mas as mulheres negras são as maiores vítimas, enfim, o racismo tá aí na nossa cara, mas muitas vezes fazemos vista grossa, como se nada tivesse acontecendo. 
Historicamente, o racismo tem servido para justificar uma série de genocídios(crimes contra  a humanidade) e diversas formas de dominação das pessoas. Temos vários exemplos disso, a escravidão, o colonialismo e o imperialismo.
Temos que combater à ideia de que não existe racismo no Brasil. 
No Brasil não aconteceu a segregação racial violenta como nos Estados Unidos. Nos EUA o conflito racial apareceu explícito, diferente do Brasil onde a sua presença ainda é negada, velada e  maquiada apesar de socialmente presente e permanente no nosso dia a dia.


Termino esse primeiro post com um clipe do grande cantor, compositor e músico baiano LAZZO  MATUMBI.  O professor fez uma lista de clipes  de músicas que falam sobre racismo, entre os nomes está o do grande cantor baiano. Escolhi esse clipe porque acho que tem tudo a ver com a temática do meu primeiro post e pela letra belíssima da música. Brasil, Bahia, Jamaica e África num só lugar...


Apertem o play  e boa música.








Referências:

DaMatta,Roberto.Relativizando Uma Introdução À Antropologia Social. Rocco. Rio de Janeiro, 1987.

https://youtu.be/4yHn01H9Ay0







                       O Teste das bonecas e as relações raciais.








Uma aula das aulas mais interessantes da disciplina. O teste das bonecas.
Confesso que nunca tinha visto o vídeo e fiquei perplexa ao ver as respostas das crianças. Acho que esse experimento mostrou que o RACISMO é muito mais forte do que muitos pensam, as crianças reproduzem o que acabam vendo e ouvindo. As crianças são americanas, seria interessante ver esse tipo de teste aplicado aqui no Brasil também. Não tive tempo para procurar se reproduziram esse teste aqui no Brasil. Vi o vídeo da Rede norte-americana CNN. Chocante perceber o que os padrões sociais fizeram com essas crianças. É muito triste ver crianças reproduzindo estereótipos de ser bonito ou feio, bem ou mal relacionado com a cor da pele. É bem esperado que elas agissem dessa maneira, afinal elas não têm senso crítico, apenas assimilam tudo o que acabam vendo e escutam, tudo que a mídia expõe também.





Acho que já temos provas  suficientes de quão danoso pode se tornar o processo de assimilação de estereótipos por essas  crianças.
Vou colocar o link do vídeo aqui. Quem tiver oportunidade de ver, é interessantíssimo, nunca tinha visto, fui ver na aula dessa disciplina, Educação e Relações Étnico-Raciais.

Vale a pena.





Referências:

https://youtu.be/CkcpROCiolA







                                      
                                      Vênus Negra.








Esse post é para falar do filme Vênus Negra. Sugerido pelo professor e exibido na sala de aula, ele mostra as razões pseudocientíficas que defendiam o racismo no século 19. Depois de assistir Vênus Negra, mergulhei em vários questionamentos. Posso dizer que vi uma dose de racismo, sexismo e muito machismo nessa película. O filme me chocou muito. Senti um misto de surpresa, choque, raiva, angústia, nojo, perplexidade, foram várias emoções . Não fiquei confortável durante a sua exibição, ainda mais que foi exibido bem no dia Internacional da Mulher, dia 08 de março. Demorei para entender a proposta do filme e o porquê de sua exibição nesse dia, já que retrata a mulher de um modo tão depreciativo. Fiquei sem compreender porque nessa data costuma-se homenagear todas as mulheres e suas conquistas ao longo dos anos.
Vendo a sequência do filme minha indignação ia só aumentando.
Mas precisávamos desse choque, a exibição serviu de grande reflexão em torno da imagem da mulher. 
Vênus Negra fala  sobre uma  série de temas-o colonialismo, o racismo, o machismo, ambientada numa Europa do século XIX.
Vendo a história daquela mulher sul-africana, exposta como um animal selvagem, aqui acho necessário citar o racismo científico presente naquela época, ao afirmar que a mulher detinha características semelhantes à de um primata. A obra firmou isso de modo bastante contundente, na medição  de seu corpo, e das comparações feitas a  espécie  animal em questão.
Várias cenas me chocaram no filme, mas a exotização da mulher negra foi o que mais me chocou. Ali fui perceber como vários estigmas são colocados nos corpos das mulheres negras, a mulher negra carrega a opressão histórica. Umas das cenas mais estarrecedoras é quando a mulher sul-africana tem que deixar o público tocá-la, aquele espanto de quem consegue tocá-la, ela se fazendo de inofensiva para o público se aproximar, sendo exibida como a selvagem, o uso do corpo dela, sua exploração, em nenhum momento ela foi tratada como uma pessoa, uma das cenas que mais me marcou. 
Outra cena marcante foi uma aula de anatomia, aula absurda, onde os atributos físicos de uma mulher  negra são comparados com a de macacos, prática corriqueira na época para defender o racismo. A ideia da imensa superioridade dos brancos também é destaque. 
Vendo o filme lembrei das ideias  de Arthur de Gobineau, umas das figuras históricas mais polêmicas e controversas pelos seus pensamentos. 
Gobineau estava inserido nas discussões intelectuais do século XIX acerca das raças humanas. Sua ideia central era defender um escalonamento racial. Para tanto, ele elaborou uma teoria classificatória da  humanidade, onde a raça ariana ocupava o topo da hierarquia social. Os miscigenados, por não serem puros de sangue não teriam ordenação na sua teoria, eles seriam inclassificáveis pela sua ambivalência.
Gobineau defendia a imensa superioridade dos brancos. Em sua concepção, seriam eles que dominavam a inteligência. Essa ideia foi bem retratada em Vênus Negra.
Uma coisa que não entendi até agora é o nome do filme, Vênus é a deusa da beleza, do amor e do erotismo também, mas em nenhum momento a personagem principal foi retratada com esses adjetivos, pelo contrário, nenhum desses aspectos foi abordado na trama. Só a depreciação da mulher negra.
Nesse mercado de exploração, a carne mais barata do mercado é a carne negra, como diz a letra da música da grande Elza Soares.
O filme vale ser conferido. Quem tiver oportunidade assistam e reflitam.
                                                                                    www.leopardofilmes.com




Referências: <www.históriaehistória.com.br> Acesso em 27/05/2016.
<cinema.uol.com.br> Acesso em 27/05/2016.

CARVALHO, Marília, Revista Brasileira de Educação, Quem é negro, quem é branco: desempenho escolar e classificação racial de alunos, Universidade de São Paulo, faculdade de Educação.







 O Povo Cigano.








No dia 09 de maio houve a exibição parcialmente do documentário Latcho Drom, um documentário que relata a viagem do povo rom(ciganos) da Índia até a Espanha. Ainda hoje, a origem desse povo continua envolta em mistério. As histórias sobre o universo cigano sempre me instigaram bastante. Esse universo envolto em mistérios e lendas sempre me fascinou,  cresci ouvindo comentários que depreciavam o povo cigano, como: cigano pega crianças, cigano joga praga do mal, cigano mata, cigano é perigoso, cigano rouba tudo que vê pela frente, não devemos confiar e nem chegar perto deles, ciganos são feiticeiros, são várias histórias, muitas são lendas que até hoje são passadas de geração para geração, com isso gerando  também o preconceito, a intolerância, ignorância, o medo, a discriminação, muitas vezes até o ódio. Os ciganos são historicamente discriminados e marginalizados.
Não sabia nada de sua origem, antes da aula achava que os ciganos tinham origem na Espanha, fui saber que não, alguns especialistas acreditam que eles surgiram na Índia, sua origem é indiana.
Depois de ver o documentário fui pesquisar um pouquinho mais sobre a origem e a história desse povo.





Os ciganos são livres, andarilhos e alegres, sua origem é indiana. Os primeiros ciganos vieram para o Brasil no século XVI, trazidos pela corte real de Dom João VI. 
Vou falar um pouquinho da minha experiência com esse povo, das coisas que já vivi e que fui aprendendo com o passar do tempo.
O mundo cigano pra mim gira em torno de muito fascínio, preconceito, ignorância, medo e alegria. Tenho em minha mente a figura daquelas ciganas com vestidos longos, com cores vibrantes, cabelos grandes amarrados com pentes, pentes que possuem um significado, de acordo como estão na cabeça, eles distinguem as que são casadas, das que são solteiras. Muito vezes já vi ciganas e ciganos com dentes brilhando, dizem que são dentes de ouro, só vi um acampamento de ciganos  uma vez, lembro até hoje. Foi em uma viagem para a cidade de Maragojipe, cidade do recôncavo baiano, ali foi a primeira vez que vi um acampamento cigano, só que não me aproximei, vi de longe. Lembro que era um monte de barracas de lonas grandes, tinha muita lama, vários porcos soltos, vi mais mulheres do que homens no acampamento, muitas crianças descalças correndo naquele terreno cheio de lama, na época estava chovendo, era um domingo pela manhã. Lembro dessa experiência até hoje, era criança ainda, mas aquela visão, o medo,  fascínio e a curiosidade ficaram na minha memória até hoje.
Aqui em Salvador também vejo muitas ciganas na frente do Elevador Lacerda, muitas ficam atrás de turistas querendo ler as mãos, outras tentam vender figas. Estão sempre com os cabelos presos, muitas estão descalças, vestidos com cores vibrantes, que chamam muita atenção, andam sempre em grupos, usam brincos grandes. Ainda vejo muitas pessoas correndo delas, fugindo.
Não vejo muitos homens de origem cigana, só vejo comentários sobre os agiotas ciganos, são ciganos que emprestam uma quantia em dinheiro e se não receberem o valor do empréstimo eles acabam que fazendo alguma coisa com a pessoa, ou a família da pessoa. Eles podem tomar carro, casas,  móveis, coisas que a pessoa tenha de valor. Vejo comentários de pessoas que perderam muitas coisas para os agiotas ciganos.Muitas vezes esse negócio ilícito acaba em violência.
Hoje calcula-se que existam mais de 2 a 5 milhões de ciganos no mundo. Durante suas andanças pelo mundo, eles influenciaram a cultura de várias regiões.
Vou colocar trechos de uma  matéria da Revista Super Interessante. A reportagem fala sobre a saga Povo Cigano. Acabei descobrindo essa matéria nas minhas pesquisas sobre o assunto. Vale a pena conferir.

O nome "cigano" designa muitos povos espalhados por quase todas as regiões do mundo.Povos com diferentes cores, crenças, religiões, costumes, rituais. A história dos ciganos é toda baseada em suposições.E a razão é simples: faltam documentos. Os ciganos são um povo sem escrita.Eles nunca deixaram nenhum registro que pudesse explicar suas origens e seus costumes. Suas tradições são transmitidas oralmente, mas nem disso eles fazem muita questão - os ciganos vivem o hoje, não se interessam  por nenhum resquício do passado e não se esforçam por se manterem unidos. A dificuldade em se fixar, o conceito quase inexistente de propriedade e a forma com que lidam com a morte - eliminando todos os pertences dos falecidos - dificultam ainda mais  o trabalho aprofundado da pesquisa.

A  sociedade cigana é patriarcal, quase machista. Ao se casar, o homem vira o responsável pelo sustento do lar. A mulher passa a morar com a família do marido e deve cuidar dele, dos sogros, da casa e dos filhos. Isso costuma acontecer cedo, ainda na adolescência: logo após a primeira menstruação, a menina já é considerada apta para casar e ter filhos. A noiva deve ser virgem. Tradicionalmente, sua pureza é comprovada em um dos rituais da longa festa de casamento, em que o lençol da noite de núpcias é exibido para toda a comunidade. Antigamente, os pais do noivo deviam pagar um dote à família da moça, mas esse hábito já não existe mais na maior parte dos acampamentos.
Sobre o Documentário Latcho Drom, descobri nas minhas pesquisas que significa "Estrada Segura" no dialeto cigano. É um documentário áudio visual musical, francês de 1993. Feito com muita sensibilidade, cuidado. Beleza, músicas e danças chamam atenção. O filme é conduzido pela música, mistura documentário e musical. Narra a trajetória dos Ciganos do noroeste da Índia até a Espanha.









Referências: https://youtu.be/AUz9NgtgneM
 <super.abril.com.br> Acesso em 27/05/2016.
<mundoestranho.abril.com.br> Acesso em 29/05/2016.